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  • @geografia_da_paraiba

Produção de lixo aumenta a cada ano e demandam políticas públicas para melhorias do bem-estar social


Em média, o brasileiro que vive nas grandes cidades produz um quilo de lixo diariamente. Em alguns períodos do ano, o descarte é ainda maior. "No Natal, a produção de resíduos de uma pessoa aumenta de um para até quatro quilos por dia", afirma Ivone Silva, professora do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ivone coordenou recentemente um mapeamento dos resíduos domésticos de Diadema, na Grande São Paulo, para mostrar a importância de aumentar o programa de reciclagem da cidade onde mora. Junto com duas alunas de Ciências Biológicas, coletou 200 quilos de lixo domiciliar de uma área de transbordo e analisou sua composição. "O trabalho vai auxiliar na gestão desses resíduos em Diadema e mostrar a necessidade de ampliar o programa de reciclagem no município", diz Ivone, que ajudou ÉPOCA a montar um teste (confira ao final da página) para verificar o quanto de lixo está sendo produzido em excesso. "Devemos começar a combater o lixo pensando: ‘Pra que eu quero isso?’", afirma.

Produção de lixo nas grandes cidades é uma preocupação que avança das políticas públicas de produção de resíduos e atinge o setor de saúde.


Segundo a pesquisa em Diadema, metade do que as pessoas jogam fora é composta de material reciclável, e 30% do lixo poderia não estar lá se os programas de reciclagem fossem mais efetivos. Das 400 toneladas diárias de lixo coletadas em Diadema, pouco menos da metade é composta de material orgânico. O restante são papéis e papelões (15,4%), plásticos moles (10,6%), trapos (7,4%), fraldas (6,2%), plásticos duros (4,8%) e vidro e alumínio, que não chegam a 2%.

Muito do que vai para os aterros sanitários poderia ser reaproveitado. O índice de reciclagem no país, em torno de 20%, é baixo se comparado com países desenvolvidos. Na Alemanha, por exemplo, 46% dos resíduos são reciclados. Ivone critica a falta de consciência das pessoas na escolha de produtos com embalagens mais práticas em detrimento daqueles que produzem menos lixo. Um argumento para estimular a reciclagem é econômico. De acordo com o Instituto Brasil Ambiente, com o atual índice de material reciclado, o país perde US$ 10 bilhões anualmente por não reaproveitar os resíduos. Sem contar as despesas de transportes para aterros, que estão cada vez mais distantes dos centros urbanos.


Dicas para reduzir o lixo*


- Comida


Optar pela comida natural ajudar a reduzir o lixo. Mesmo que voltemos da feira com sacolinhas de plástico, produzimos menos resíduos do que as embalagens de produtos de supermercado, muitas vezes tão elaboradas que são difíceis de reciclar. Nas lojas de conveniência e restaurantes fast food, cada alimento ou lanche tem uma embalagem diferenciada, e no final da refeição sobra um amontoado de lixo. Procure redes de fast food que expressam sua preocupação com a reciclagem de resíduos e você, indiretamente, produzirá menos lixo. Se a refeição for entregue na sua casa, a responsabilidade é sua. Geralmente as embalagens individuais são mais convenientes, mas produzem mais lixo.

- Limpeza e higiene


“Os produtos de limpeza são utilizados de maneira exagerada: num dia só, minha empregada usou dois litros de água sanitária”, disse Ivone Silva, que conduziu a pesquisa sobre o lixo em Diadema. “As pessoas devem ter consciência de que estes produtos serão diluídos no nosso sistema de esgoto, que pode atingir algum córrego, rio ou manancial”. Isso vale para detergentes, sabão em pó, amaciantes, alvejantes, outros produtos de limpeza e de higiene pessoal. Além do dano ambiental, plásticos mais duros, como os utilizados nesses produtos não são totalmente reaproveitados, como as embalagens PET.

- Costumes

As ecobags estão na moda. São sacolas resistentes, que substituem as inúmeras sacolinhas de plástico que saímos carregando do supermercado. Essa pequena mudança de costume faz diferença. Trocar produtos antes da hora é outra forma de produzir mais lixo. Repense suas compras e o uso que faz daquilo que adquire. Pergunte-se, “Preciso mesmo trocar isso?”

- Reciclagem


Se você não souber onde entregar o lixo para reciclagem, entre em contato com a prefeitura da sua cidade. Verifique se há coleta porta a porta perto da sua casa ou onde são os postos que recolhem esses resíduos. Geralmente há postos em supermercados, escolas e condomínios. Basta separar o lixo seco e reciclável do úmido e orgânico; os materiais serão divididos em centros de triagem.


* Fonte: Ivone S. Silva, geóloga e professora do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)


Fonte: Revista Época.

Link da reportagem original: https://glo.bo/2U4jBzx

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